Meus podres, meus amores

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Um dia você acordará e perceberá que não tem nada. E a solidão será sua única companhia verdadeira porque tudo tem um fim. Simples assim. 

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Certos jovens, o mais correto seria dizer namorados, certos namorados tinham balas nos bolsos para adoçar beijos - a bala de cá para lá nas matinês dos cinemas; tomavam sorvete a dois para gelar beijos; trocavam cartas onde colavam beijos; jogavam beijos para janelas entrefechadas onde adivinhavam corações entreabertos; inventavam sonhos para sonhar beijos.
ANGELO, Ivan. Certos homens. Porto Alegre, Arquipélago Editorial, 2011.

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indubio:

Deixei alguém nesta sala
que muito se distinguia
de alguém que ninguém se chamava,
quando eu desaparecia.
Comigo se assemelhava,
mas só na superfície.
Bem lá no fundo, eu, palavra,
não passava de um pastiche.
Uns restos, uns traços, um dia,
meus tios, minhas mães e meus pais
me chamarem de volta pra dentro,
eu ainda não volte jamais.
Mas ali, logo ali, nesse espaço,
lá se vai, exemplo de mim,
algo, alguém, mil pedaços,
meio início, meio a meio, sem fim.

Paulo Leminski

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Suspeita confirmada (ou não)

Adoro Carpinejar. Às vezes discordo de algumas palavras, mas, no geral, adoro. Porém, algo sempre me incomodou: a sua transformação em “guru” poético amoroso. Deixo claro que é uma opinião pessoal. Entendo como a literatura pode servir como terapia, concordo com isso e muito, mas percebo vários autores indo para um lado quase de autoajuda e, infelizmente, vejo o Carpinejar fazendo isso…

Fiquei sabendo agora (pelo link é possível ler a notícia) que ele e sua esposa - terapeuta, terão um programa na rádio Gaúcha, no qual responderão dúvidas e anseios dos ouvintes sobre relacionamentos… Minha suspeita foi confirmada (ou não. Não tenho como saber com certeza absoluta): a expressão artística (que reconheço ser boa) foi transvestida para uma literatura de autoajuda e serviu como marketing para o casal quase perfeito.